Resolver a pobreza: Qual é a maneira certa de fazê-lo?

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A pobreza é um problema complicado, cujos impactos estão sendo intensificados nas pessoas mais afetadas pela crise climática. Mas há esperança! Neste capítulo, examinaremos as conexões entre a pobreza e a crise climática e investigaremos as oportunidades relacionadas ao auxílio das energias renováveis no combate à pobreza e às alterações climáticas.

O que é pobreza?

Em 2015, 730 milhões de pessoas estavam sobrevivendo com menos de US$ 1,90 por dia.

Isso significa que 1 em cada 10 pessoas vive em extrema pobreza!

Alguns lugares sofrem mais do que outros. Um pouco mais de 56% das pessoas que vivem em pobreza extrema estão em uma só área. Onde você acha que elas vivem?


56% das pessoas que vivem em extrema pobreza estão na África Subsaariana!

Mas a pobreza não é apenas uma questão de dinheiro: as pessoas podem sofrer pela pobreza de muitas maneiras. As Nações Unidas definem pobreza como sendo uma "negação de escolhas e oportunidades".

De acordo com essa definição, estas são algumas das maneiras pelas quais as pessoas podem sofrer em razão da pobreza:

Os lares podem sofrer com a pobreza de muitas maneiras

Energia e pobreza

Mas o que isso tem a ver com as alterações climáticas?

A eletricidade é uma forma de conectar a pobreza às questões climáticas.

Em 2016, 13% da população global não tinha acesso à eletricidade. Sem ela, as pessoas não conseguem atingir um nível de vida básico. Apesar disso, de acordo com o progresso atual, somente em 2080 todos na África terão acesso à eletricidade!

A falta de eletricidade impede as pessoas de escaparem da pobreza, porque elas precisam utilizar fontes de energia ineficientes e caras em vez de eletricidade, como pilhas e velas. As lâmpadas de querosene são a fonte mais comum de iluminação, mas são também uma das menos eficientes.

As lâmpadas de querosene são muito mais caras que as lâmpadas elétricas

Isso está reforçando as desigualdades atuais.

Quanto as famílias mais pobres da África pagam a mais por unidade de energia quando comparadas às famílias mais ricas que têm acesso à eletricidade barata?


Essa é uma clara armadilha da pobreza: os preços elevados da energia para as pessoas mais pobres consomem o dinheiro que, em outras circunstâncias, as ajudaria a escapar da pobreza. Ao fornecermos eletricidade às famílias carentes, esse dinheiro pode ser economizado e usado para atender outras necessidades.

Eletricidade barata ajuda as pessoas a escaparem da pobreza

A falta de eletricidade também afeta a saúde e a educação, atrasando o desenvolvimento.

Sistemas de saúde não conseguem funcionar corretamente sem eletricidade. Ela é necessária para refrigerar medicamentos, operar equipamentos médicos, iluminar hospitais e muito mais. Em grande parte da África, as vacinas são desperdiçadas, porque 60% dos refrigeradores usados para armazená-las não têm uma fonte de energia confiável.

Trabalhadores qualificados, como médicos e professores, podem ter dificuldades para realizar um trabalho eficaz em zonas rurais sem eletricidade. Isso reduz ainda mais as oportunidades e os serviços disponíveis para a população local.

O ensino infantil também é afetado, porque, sem iluminação elétrica, as crianças podem ter dificuldades em fazer suas tarefas escolares em casa. É mais provável que as meninas abandonem a escola, pois suas famílias precisam que elas coletem lenha para obter energia.

O acesso à eletricidade tem impactos na saúde e na educação

Se você vive no mundo desenvolvido, é fácil esquecer que ter eletricidade confiável é a base do padrão de vida decente que todos merecem.

Eletricidade para pôr fim à pobreza

Maior acesso à eletricidade está associado a menos pobreza e mais crescimento econômico, já que energia geralmente leva ao desenvolvimento.

Este gráfico mostra a ligação entre o uso de eletricidade e a pobreza. Os países com elevado consumo de eletricidade têm baixos níveis de pobreza.

Uso de energia per capita versus proporção da população em extrema pobreza

Em média, aumentar a taxa de crescimento econômico de um país em 10% resulta numa redução na proporção de pessoas que vivem com apenas 1 dólar por dia. Quão grande é essa redução?


Tudo isso parece ser muito positivo – a energia aumenta o crescimento econômico, o que afasta as pessoas da pobreza. Além disso, à medida que os países ficam mais ricos, a taxa de crescimento populacional tende a cair.

Infelizmente, não é assim tão simples…

À medida que os países ficam mais ricos, as pessoas consomem mais e as emissões liberadas por pessoa aumentam. Isso significa que, mesmo que a população seja menor, a dimensão da pegada de carbono de um país quase sempre aumenta na mesma proporção em que ele fica mais rico.

Emissões de CO₂ per capita versus PIB per capita, 2016

Portanto, a energia tem levado ao crescimento econômico e retirado milhões de pessoas da pobreza. Contudo, a maior parte dessa energia tem sido produzida a partir de combustíveis fósseis, o que é insustentável. É esse crescimento econômico insustentável que tem causado a atual crise climática.

Podemos aprender com o passado?

Então, há alguma maneira de tirar as pessoas da pobreza sem contribuir para as mudanças climáticas?

Sim! Até agora, os países ricos têm usado combustíveis fósseis para impulsionar o seu desenvolvimento, mas eles estão migrando para fontes de energia com baixo teor de carbono.

Em regiões que nunca tiveram eletricidade antes, é possível adotar energias renováveis primeiro, sem jamais utilizar combustíveis fósseis[29.30.31]. Isso se chama salto tecnológico.

Salto tecnológico para energia limpa

Por exemplo, painéis solares e turbinas eólicas podem ser construídas mais rapidamente do que usinas de combustível fóssil em locais remotos. Isso significa que lares ou aldeias podem ter a sua própria fonte de energia renovável e confiável!

Como podemos pagar por energia limpa?

Embora esse salto tecnológico pareça excelente, enfrentamos alguns obstáculos no financiamento de energia renovável e limpa em países pobres. Por exemplo, a infraestrutura da energia renovável (e nuclear) têm custos mais elevados do que os das energias não renováveis:

Energias limpas e renováveis costumam ter altos custos de instalação

Este gráfico mostra que a maior parte dos custos das energias renováveis se concentra na fase de construção. As usinas de carvão e gás podem ser mais baratas para construir, mas custam mais para funcionar.

Isso pode dificultar que países e comunidades em desenvolvimento optem pela energia renovável e limpa, pois eles não têm o dinheiro necessário para instalá-las e, a curto prazo, os combustíveis fósseis parecem ser mais baratos.

Essas barreiras financeiras podem ser superadas com o apoio de países mais ricos, através de doações ou empréstimos, por exemplo.

Entre 2005 e 2016, estima-se que as doações dos países ricos para apoiar projetos de energia limpa e de eficiência energética no mundo em desenvolvimento tenham reduzido as emissões em 0,6 GtCO₂eq ao ano. Isso equivale a 1,1% do total de emissões de gases de efeito estufa de 2018 (CO₂eq).

Conclusão

Cada indivíduo tem direito a um padrão de vida decente. Todo país tem o direito de se desenvolver.

No passado, os combustíveis fósseis forneceram a energia necessária para que os países se desenvolvessem e evitassem a pobreza. No entanto, seu uso também acelerou a atual crise climática. Agora, o salto tecnológico permite que os países em desenvolvimento utilizem energia de baixo carbono, em vez de combustíveis fósseis, para impulsionar o seu crescimento econômico.

Ao levarmos energia renovável para aqueles que precisam, reduzimos a pobreza sem necessariamente aumentarmos as emissões!

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