Saúde: Manter-se saudável com o clima em mudança

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A nossa saúde está intimamente ligada à do nosso planeta. Isso significa que se o planeta adoecer, nós também adoeceremos. Por exemplo, maiores níveis de CO₂ atmosférico têm sido associados a baixos níveis de proteína, ferro e zinco nos cultivos agrícolas. Isso resulta em um alimento com menor qualidade, sendo mais difícil, para as pessoas, ter uma boa nutrição. Neste capítulo exploraremos por que a crise climática é também uma crise de saúde e como podemos adaptar nossos serviços de saúde para lidar com as ameaças que enfrentamos.

O que acontece se não nos adaptarmos?

Saúde e as Mudanças Climáticas

1. Efeitos Diretos

Que doenças provavelmente afetam mais pessoas devido às mudanças climáticas?


À medida que a Terra esquenta, o risco de doenças relacionadas ao calor aumenta. Isso ocorre porque o seu coração, pulmões e rins têm que se esforçar mais para manter a temperatura corporal. Mais de 125 milhões de pessoas foram expostas a ondas de calor entre 2000-2016 e os cientistas preveem que “mega” ondas de calor (pelo menos 6 dias com temperaturas acima de 30ºC) na Europa serão de 5 a 10 vezes mais frequentes até 2050. Por outro lado, o aumento de temperatura poderia resultar em menos mortes relacionadas ao frio.

Algumas doenças, como a cólera, a dengue e a malária, são “sensíveis ao clima”. Isso significa que a propagação da doença depende de fatores como temperatura e chuva. Portanto, as mudanças climáticas impactariam onde e quem essas doenças afetam.

Efeitos das Mudanças Climáticas na Saúde

2. Efeitos Indiretos

As mudanças climáticas também podem indiretamente afetar a saúde de maneiras que não pensaríamos de imediato. As inundações, por exemplo, ajudam a propagar certas doenças; assim como a poluição das queimadas, que se estima, seja a causa de aproximadamente 340 000 mortes precoces por ano. Além disso, espera-se que haja maiores índices de conflito entre países e um número mais elevado de refugiados ambientais, que estariam impossibilitados de ter acesso a serviços básicos de saúde.

Quando combinados, estima-se que esses efeitos das mudanças climáticas na saúde representem um custo muito alto para a sociedade, devido às doenças e mortes.

Efeitos das Mudanças Climáticas na Saúde

Os que correm maior risco são os mais velhos, os muito jovens e os habitantes de países onde já existem dificuldades no acesso a serviços de saúde dignos. As mudanças climáticas também podem colocar a saúde das gerações futuras em risco. Se quisermos evitar os piores riscos à saúde, precisamos nos preparar e adaptar o mais rápido possível.

Serviços de saúde adaptados ao clima

Como podemos adaptar os serviços de saúde diante das mudanças climáticas?


A redução das emissões de carbono tem um enorme potencial para evitar doenças e mortes desnecessárias no futuro. Esse é um importante trabalho de mitigação, mas ainda precisamos nos adaptar e, para isso, precisamos de um plano. Em 2018, apenas 48 países tinham planos formais de adaptação à saúde e, mesmo assim, a maioria estava com dificuldades em colocar tais planos em ação.

Para começar, precisamos garantir que todos tenham acesso básico à saúde, construindo hospitais e clínicas onde for mais necessário. Em áreas vulneráveis a inundações, como Bangladesh, algumas comunidades utilizam agora “hospitais flutuantes”. Também podemos nos adaptar recrutando mais enfermeiros e médicos e proporcionando-lhes treinamento sobre as consequências das mudanças climáticas na saúde e como tratá-las.

Hospitais flutuantes

O que você acha que o termo "co-beneficiar" significa?


Nos últimos anos, profissionais têm projetado hospitais "mais sustentáveis", que fazem uso de planejamento de edifícios ambientalmente corretos, fornecimento de energia renovável e telemedicina (ou seja, o fornecimento de assistência remota usando tecnologias de comunicação), o que reduz custos e salva vidas. Acredita-se que esse tipo de adaptação crie cobenefícios, ou seja, soluções que trazem diversas vantagens.

Hospitais Sustentáveis

Adaptação fora do setor de saúde

Contudo, não é apenas o setor de saúde que precisará se adaptar. Se quisermos reduzir os riscos à saúde associados às mudanças climáticas, será preciso que os governos e as indústrias também se esforcem. Isso significa investir em melhorias no saneamento, no monitoramento climático, na educação e na agropecuária. Os governos também podem assumir o comando ao estabelecer padrões de trabalho seguros para proteger os trabalhadores da exposição ao calor e de outros impactos das mudanças climáticas.

Por que plantar árvores em áreas urbanas é bom para a nossa saúde?


A necessidade de adaptação relacionada à saúde aumentou a procura por infraestruturas que são benéficas tanto para o planeta quanto para a nossa saúde. Por exemplo, o aumento da vegetação em áreas urbanas tem mostrado uma redução de 40 a 90% nas taxas de mortalidade associadas ao calor, estando ligado também a níveis reduzidos de estresse e a um senso mais forte de comunidade.

Na verdade, a modernização da nossa infraestrutura pode desempenhar um papel importante para nos manter saudáveis. Por exemplo, podemos limitar a propagação de doenças durante inundações, atualizando nossos sistemas de defesa costeira e de drenagem para lidar com o excesso de águas pluviais.

Ao observar o panorama geral e adaptar outras áreas da sociedade, podemos reduzir as pressões sobre os nossos sistemas de saúde.

Tecnologia, Monitoramento e Mapeamento

Se quisermos manter as pessoas saudáveis, mesmo com o clima em mudança, precisamos definir melhores formas de monitoramento das doenças relacionadas ao clima. É aí que entram os Sistemas de Alerta Precoce ("SAP"). Os SAP usam dados históricos para prever os perigos futuros como inundações e ondas de calor, possibilitando que informemos as pessoas antecipadamente. A partir daí, os SAP nos ajudam a montar um plano para que consigamos reduzir os efeitos na saúde das pessoas, como estações para se refrescar, por exemplo, que forneçam água, abrigo e ar condicionado. Felizmente, os SAP funcionam muito bem. Nos EUA, por exemplo, a utilização de SAP resultou em 50% menos mortes quando comparada a dois outros eventos similares de ondas de calor.

Sistemas de Alerta Precoce para ondas de calor

Além das ondas de calor, os SAP também são uma ferramenta maravilhosa para monitorar as doenças relacionadas ao clima. Isso será muito útil para enfermidades como a malária, que geralmente são associadas a áreas mais quentes perto do equador, mas que podem estar se propagando para novas áreas devido às mudanças climáticas. Para garantir que os SAP sejam eficientes, necessitamos de dados precisos dos cientistas que estudam meteorologia e transmissão de doenças.

Saúde Pública e Comunicações

Uma parte importante do monitoramento de doenças climáticas e outros riscos à saúde é garantir que o público em geral esteja preparado, e é aí que entram a educação e comunicação, permitindo que articulemos as reações entre os países. Através da educação pública em relação à saúde, podemos ajudar as pessoas a compreenderem o que fazer e para onde ir — ou não ir! — caso aconteça um desastre natural ou outra ameaça à saúde decorrente do clima.

Gerenciando desastres naturais: preparação e execução

E quanto a mim?

Em um nível pessoal, um clima em alteração pode significar fazer pequenas mudanças no nosso dia-a-dia para manter nós mesmos e aqueles ao nosso redor saudáveis. No outro extremo, isso pode envolver planejar-se para situações de emergência e responder a sistemas de alerta precoce quando necessário. Olhando por um lado menos sério, quando se trata de ondas de calor, uma sonequinha ou outra na sombra pode ser uma opção popular e aprovada cientificamente!

Como se manter calmo

Conclusão

Hoje em dia, nós sabemos que as mudanças climáticas significam que a sociedade vai vivenciar exigências dinâmicas no sistema de saúde. Nós também olhamos para maneiras em que nós podemos nos adaptar a essas ameaças, através de: Sistemas de Alerta Precoce, conscientização da população, respostas comunitárias mais fortes, e através de um maior investimento em nossos sistemas de saúde. Embora isso requeira tempo, esforço e dinheiro, a recompensa vai, provavelmente, compensar o custo, e reduzir potenciais riscos de saúde, a longo prazo. Através de soluções como sistemas de saúde ecológicos, nós podemos até dar uma mãozinha para a natureza ao longo do caminho. Em um nível individual, nós podemos começar ajudando outros a entender que uma boa saúde, a longo prazo, depende também de um planeta saudável.

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