Olhando para frente: Por que a política climática é complicada e como podemos resolver isso

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Como a política nacional pode restringir a política climática global?

Embora a cooperação internacional seja necessária para solucionarmos as mudanças climáticas, a política nacional é crucial para chegarmos a algum acordo climático internacional.

As mudanças climáticas afetarão países distintos de forma diferente, e isso pode influenciar a postura de um Estado em relação às políticas climáticas globais.

Por exemplo, países insulares de baixa altitude enfrentam uma ameaça de desaparecimento devido ao aumento do nível do mar. Por outro lado, alguns países, como os do Reino Unido, a China e o Canadá, vivenciaram, entre 1991 e 2010, um pequeno benefício econômico proveniente das mudanças climáticas.

Isso ocorre principalmente em virtude de um pequeno aumento na produtividade da agricultura e da mão de obra, observado nesses países como resultado de temperaturas mais elevadas. Contudo, tais benefícios provavelmente serão neutralizados por outras consequências negativas das mudanças climáticas.

Given the serious impacts of climate change, you would expect it to take centre stage in domestic and global politics. So why hasn’t it? Well, there are 3 key reasons why:

(1) Nem todos os eleitores apoiam medidas em relação às mudanças climáticas

Por exemplo, em muitos países, ainda não há um consenso social sobre as mudanças climáticas. Quando as pessoas analisam um assunto como as mudanças climáticas, elas tendem a não considerar apenas a ciência, mas são igualmente influenciadas pela mídia, por professores e líderes culturais e políticos. Os eleitores também podem focar em outras questões mais concretas e práticas como a educação, a economia e a saúde.

Sua opinião sobre as mudanças climáticas pode ser influenciada por muitos fatores

Com a intenção de negar as mudanças climáticas, campanhas organizadas por importantes líderes políticos, industriais e da mídia (por exemplo: empresas de combustíveis fósseis, mídia e grupos de estudos conservadores) aumentaram a polarização política e a desconfiança na ciência.

Por exemplo, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos de 2016 a 2020, expressou opiniões contraditórias e confusas sobre as mudanças climáticas. Na década de 1950, ocorreu um fato semelhante de negação da ciência quando a indústria do tabaco tentou contrariar evidências da relação entre os cigarros e o câncer do pulmão.

É importante salientar que a negação das mudanças climáticas (rejeição de todas as evidências de que o ser humano causou tais mudanças) é diferente do ceticismo, que é uma característica saudável da ciência.

Então, quais destas abordagens você considera eficazes para combater a negação das mudanças climáticas? Selecione todas as alternativas corretas.


(2) As perspectivas de curto prazo estabelecidas por muitos governos são incompatíveis com a natureza de médio e longo prazo das mudanças climáticas

Isso significa que os políticos acabam focando em questões que têm um impacto imediato na sua população, em vez de focarem naquelas que impactarão mais pessoas no futuro.

As mudanças climáticas não deveriam ser consideradas um problema distante

O alto grau de incerteza na previsão das mudanças climáticas a longo prazo, bem como dos custos e benefícios associados a elas faz com que os governos tenham dificuldade em avaliar em que campo estão seus interesses nacionais.

Na prática, essa dificuldade pode ser vista na lacuna existente entre as metas de curto e médio prazo — derivadas das contribuições nacionalmente determinadas pelos países (NDCs) — para reduzir as emissões perante o Acordo de Paris de 2015 e as reduções necessárias dessas emissões para atingir a meta de temperatura de tal acordo.

(3) Falta de recursos financeiros e conflito entre as prioridades para o desenvolvimento

Mesmo que um país seja vulnerável às mudanças climáticas, isso nem sempre quer dizer que ele consiga agir facilmente para ajudar a solucioná-las!

For example, one of the most vulnerable countries to climate change is India: the Himalayan Glaciers that provide the primary water source for parts of Northern India are beginning to melt as a result of global warming. This is expected to cause substantial floods and droughts throughout the region.

A pobreza generalizada na Índia faz com que o desenvolvimento econômico seja necessário, mas o atual modelo de desenvolvimento envolve o uso de energia proveniente de combustíveis fósseis e o consumo excessivo.

Conflito entre as prioridades na Índia

Quais são as limitações da política global?

Chegar a um consenso é um desafio

Isso ocorre principalmente porque é difícil chegar a uma conclusão que seja considerada justa por todos.

Climate change is not just a practical problem, but an ethical problem too: what one person or community considers to be fair may be seen as unfair by others, making it difficult for different players to agree on solutions to climate change.

Por exemplo, por décadas, os representantes de países de baixa e média renda têm alegado que eles não deveriam ter que limitar suas emissões até que os países de alta renda limitem as suas e compensem pelos sofrimentos vividos pelos países de renda mais baixa, como a pobreza generalizada.

É importante chegarmos a um consenso sobre o que é justo, pois não encontraremos soluções eficazes para as mudanças climáticas e nem as colocaremos em prática, se não forem consideradas éticas e justas.

O conceito de justiça ambiental é uma maneira de pensarmos sobre justiça no contexto das mudanças climáticas.

O que você entende por justiça ambiental?


O movimento pela justiça ambiental tem uma longa história nas comunidades minoritárias. Podemos citar as comunidades indígenas, que lutaram muito contra a devastação ambiental de suas terras; e, nos Estados Unidos, na década de 1980, os ativistas que denunciaram o descarte de lixo tóxico em comunidades pobres, as quais eram, em grande maioria, afro-americanas. Ao longo do tempo, o movimento pela justiça ambiental também passou a considerar as mudanças climáticas.

Problemas ambientais

O princípio das responsabilidades comuns porém diferenciadas e suas respectivas capacidades (CBDRRC, da sigla em inglês) tem se tornado uma ferramenta importante na política climática internacional — citada na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, da sigla em inglês) de 1992, no Protocolo de Quioto de 1997 e no Acordo de Paris de 2015.

CBDRRC is the acknowledgement that despite a shared, global obligation to tackle climate change, countries’ responsibilities and capabilities will be unequal given variations in their social, economic and ecological circumstances. However, CBDRRC is difficult in practice because there is little agreement on its logic, content, and application to particular situations.

Por exemplo, países de baixa a média renda responsabilizam os países de alta renda pela atenuação das mudanças climáticas devido às suas contribuições históricas para as emissões. Entretanto, alguns países de alta renda, em especial os Estados Unidos, destacam que cada país, de acordo com a sua capacidade, deve fazer algo agora em relação à redução dessas emissões.

A ideia do princípio das CBDRRC tem sido um fator importante para chegarmos a um consenso na política climática internacional. Apesar de alguns países não concordarem com seu significado exato, tal princípio é apoiado por todos.

O princípio das CBDRRC pode ser alcançado de várias maneiras:

  • Assegurando que países diferentes tenham obrigações legais distintas. Por exemplo, o Protocolo de Quioto impôs compromissos juridicamente vinculantes para a redução das emissões de gases de efeito estufa somente para países de alta renda.
  • Apoiando os países que não têm a capacidade de mitigar as mudanças climáticas. Por exemplo, o Acordo de Paris de 2015 exige que países de alta renda ajudem países de renda mais baixa com apoio financeiro e assistência no desenvolvimento e acesso às tecnologias.
Países de renda mais baixa precisam de ajuda com sua adaptação

O cumprimento da lei internacional não é satisfatório

A simples criação de leis não altera a realidade a não ser que essas leis sejam cumpridas. Obrigar alguém a cumprir a lei é chamado de imposição. Quem cumpre a lei está agindo de forma correta.

Infelizmente, é difícil que leis internacionais sejam cumpridas, pois elas geralmente estabelecem obrigações imprecisas com objetivos confusos. Os governos também podem ser incapazes ou se sentirem relutantes em cumprir uma lei internacional
.

Então, como podemos resolver esse problema? Alguns fatores que podem ajudar as pessoas e os países a acatarem as leis internacionais incluem:

  • Aumentar a motivação política dos responsáveis pela aplicação das leis para garantir que as mesmas sejam cumpridas na prática
  • Deixar as normas mais claras

Mas até mesmo essas medidas dependem de motivação política!

Outra maneira de se fazer com que as leis sejam cumpridas é através dos ajustes de carbono na fronteira. Eles são tarifas (impostos sobre importações) aplicadas sobre a emissão de carbono dos produtos vindos de um país que não está em conformidade com as leis internacionais (um país em desacordo com as leis) quando tais produtos são importados para um país que as acata. Tais medidas podem ajudar a evitar que atividades com altos índices de emissões tenham sua produção realocada para um outro país onde não há um controle tão alto das emissões.

Países que acatam as leis podem cobrar impostos para importação de mercadorias dos países que não as cumprem

A política internacional pode resolver as mudanças climáticas por si só?

A política internacional é complicada e exige ação por parte de muitos participantes diferentes. A fim de fornecer uma base para a ação política, a política internacional e a ciência devem caminhar lado a lado.

Mas mesmo que cientistas e políticos estejam engajados, sozinhos não serão suficientes. Para que haja um progresso real na solução das mudanças climáticas, nós precisaremos que todos colaborem, de grandes empresas a cidadãos, incluindo você! É realmente um trabalho em equipe.

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