Ciclo da água: Como a água se move ao redor da Terra?

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Chuvas fortes, secas e incêndios florestais: ter água de mais ou de menos pode ser um enorme problema – e as alterações climáticas vão piorar a situação. Por quê? Tudo está relacionado ao ciclo da água.

O ciclo da água é o movimento da água pelo planeta: do estado líquido no oceano e na terra, para o vapor na atmosfera e de volta.

Esse ciclo é fundamental para entender como as mudanças de temperatura estão ligadas a eventos como secas e inundações.

Como a água se move pela Terra?

Na sua forma mais básica, o ciclo pode ser dividido em chuva e evaporação:

O Ciclo da Água

De onde você acha que vem a maior parte da água que evapora para a atmosfera?


Por causa da curvatura da Terra, os trópicos absorvem duas vezes mais energia solar do que outras partes do planeta, resultando em mais evaporação. A evaporação também depende da disponibilidade de água; então, a maior parte da evaporação provém da superfície oceânica e não da continental.

Mais Luz Solar nos Trópicos

Na verdade, 86% de toda a água evaporada provém do oceano. Isso significa que 1,4 m de água evapora do oceano todos os anos.

10% dessa água cai como chuva sobre a porção continental. Portanto, o movimento tridimensional do ar dentro da atmosfera, conhecido como circulação geral, é muito importante para o ciclo da água e para os padrões de chuva porque ele redistribui o vapor de água ao redor do planeta.

Por que o aquecimento global é importante aqui?

A temperatura na superfície do planeta influencia muito na evaporação da água. Então, o que acontece quando aumentamos a temperatura da Terra?

Ar mais quente retém mais vapor de água: 7% a mais para cada grau Celsius que aquece. Isso porque, quando as temperaturas estão mais elevadas, as moléculas de água no solo, na superfície do mar ou dos lagos têm mais energia, facilitando que se desprendam da forma líquida e se transformem em gás na atmosfera. Aumentar a quantidade de vapor no ar altera a quantidade que pode cair como chuva.

Aumento da chuva com o aquecimento global

A aceleração da taxa com que a água circula dentro e fora da atmosfera é conhecida como uma intensificação do ciclo da água.

Como a intensificação altera a chuva?

O que você esperaria que acontecesse se adicionássemos mais água à atmosfera?


Sim, ambos! Os efeitos variam muito de lugar para lugar. Veja o mapa abaixo:

Alteração na Precipitação Global

Em geral, intensificar o ciclo significa que lugares úmidos ficam mais úmidos e lugares secos, mais secos. Isso ocorre, em parte, porque a água extra na atmosfera é levada, através das correntes de vento, para lugares que já são chuvosos.

Mais secas E mais úmidas

Ainda menos água será levada para os desertos perto do equador e ainda mais será concentrada nas florestas tropicais do mundo.
Além disso, algumas partes da atmosfera aquecerão mais do que outras; portanto, poderão reter mais água.

Além da quantidade de chuva que cai por ano, é importante considerar a forma com que essa chuva cai. Chove levemente todos os dias? Ou chove torrencialmente duas vezes por ano? Isso é chamado de intensidade da chuva.

Temos visto fortes chuvas até em locais onde a precipitação, em geral, não está aumentando. Isso é conhecido como a síndrome do "quando chove, é um dilúvio".

O aquecimento pode tornar as chuvas mais intensas, aumentando o risco de alagamento, mas menos frequentes. Nos longos períodos sem pluviosidade entre essas chuvas intensas, as secas se tornam mais longas e severas.

Imagine se toda a água que você normalmente bebe em um ano só estivesse disponível por um dia! Você não ficaria feliz, embora ainda tivesse a mesma quantidade de água por ano, certo?

As secas também são causadas pela mudança das correntes de vento, que redistribuem a chuva. Geralmente, as correntes de vento estão se deslocando para os polos devido ao aquecimento global.

Por vezes, no sul da China, os ventos trouxeram mais ar seco do norte e menos vapor de água dos oceanos tropicais, causando secas intensas. As secas também se tornaram mais longas e intensas no Mediterrâneo e na África Ocidental desde 1950.

As águas subterrâneas são aquelas armazenadas no subsolo, em espaços entre as rochas e o solo. O que acontece quando a distribuição e a frequência de chuvas mudam?


As águas subterrâneas são reabastecidas pela chuva. Isso se chama recarga da água subterrânea. Chuva demais pode encher esse armazenamento até o ponto em que a água extra resulta em inundações, assim como essa reserva diminui se não chove o suficiente.

Se continuarmos a emitir gases de efeito estufa no ritmo atual, a recarga das águas subterrâneas em regiões secas poderá diminuir significativamente. Tal como no nordeste do Brasil, onde se prevê que essa recarga diminua mais de 70% até 2050. Ter um menor abastecimento de água subterrânea torna as secas ainda piores!

Secas e fogo

Quando a terra seca, ela se torna mais propensa a pegar fogo. Quais dos seguintes fatores contribuintes para os incêndios florestais são agravados pelas alterações climáticas?


Aprendemos que o aumento de temperaturas causa mais evaporação. Isso pode fazer com que as plantas sequem, formando uma fonte de combustível que leva a maiores incêndios florestais.

Normalmente, grande parte da energia solar que uma área recebe é absorvida por água evaporada na superfície da Terra. Mas, quando não há água suficiente no solo, essa energia aquece as plantas secas. Condições mais quentes e secas tornam os incêndios mais prováveis.

As ondas de calor também tornam os incêndios selvagens mais prováveis. Quase todas as partes do globo enfrentaram um número crescente de ondas de calor desde 1950, quebrando múltiplos recordes de registros de temperatura.

Modelos previram que as alterações climáticas poderiam aumentar a frequência dos incêndios globais em 19% em 2050 em relação a 2015, se as temperaturas chegarem a 1,8 °C acima dos níveis pré-industriais.

Conclusões

A maneira pela qual a água circula em toda a nossa atmosfera é o que faz a Terra tão especial. Com este capítulo, fica claro que as alterações nessa circulação precisam ser levadas a sério!

No próximo capítulo, analisaremos o efeito dessas mudanças nos trópicos.

Próximo Capítulo