Clima tropical

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No capítulo anterior, aprendemos sobre o ciclo da água e a circulação geral, o movimento 3D de ar na atmosfera. Vejamos como a circulação geral pode afetar a chuva e as tempestades nos trópicos – e o que as alterações climáticas podem significar para ambos.

Como o vento se move ao redor dos trópicos?

O vento é importante para o ciclo da água porque redistribui vapor em torno do planeta, afetando onde e como chove. A evaporação do oceano forma nuvens, que podem ser movidas pelo vento, ocasionando chuva na porção continental:

Como aprendemos no capítulo do ciclo da água, os trópicos recebem mais calor, ou energia do sol. Por esse motivo, o ar nessa região fica mais quente do que no resto da atmosfera. Isso faz com que o ar seja menos denso que o ar mais frio.

A densidade de um gás se refere a quantas moléculas estão presentes em um determinado volume. Adicionar energia a um gás faz com que ele se expanda e fique menos denso: como suas moléculas têm mais energia para se mover, elas se espalham mais. As diferenças na densidade entre massas de ar criam correntes de vento de várias maneiras:

Circulação de Ar nos Trópicos

O ar quente sobe quando o ar mais frio e denso do ambiente o empurra para cima e para fora do caminho. Essa propriedade é chamada de flutuabilidade.

O ar quente no equador cria uma corrente de ar ascendente. À medida que o ar sobe, ele sofre menos pressão, porque há menos ar empurrando-o para baixo. A temperatura, a pressão e o volume de um gás são mutuamente afetadas: assim como em temperaturas mais elevadas, a baixa pressão permite que o ar se expanda e aumente de volume.

Tal expansão empurra o ar ao redor dele. Isso requer energia, a qual vem do calor do gás. Como resultado, a expansão faz com que o ar ascendente esfrie. Enquanto esfria, o vapor de água dentro dele torna-se líquido, formando nuvens.

O vento ascendente também perde sua flutuabilidade porque, conforme ele sobe, a densidade do ar ao redor diminui, até que não seja possível continuar a subir. Nesse ponto, o vento é empurrado para o lado e dividido em duas correntes separadas, que seguem para polos opostos.

Enquanto essas correntes se movimentam em direção aos polos, elas descendem em direção à superfície do planeta. À medida que descem, sofrem uma pressão crescente, o que as faz aquecer novamente. Tendo deixado a água para trás na forma de nuvens, esse ar quente e seco cria desertos, como o Saara e o Kalahari.

O Ar Ascendente Forma Nuvens

Na superfície do planeta, o ar mais denso volta em direção ao equador. Isso completa a circulação de ar em torno dos trópicos, conhecida como Célula de Hadley.

Que efeito você acha que a rotação da Terra para o leste tem sobre o vento que se movimenta em direção ao equador?


Esses ventos ocidentais nos trópicos são conhecidos como ventos alísios. Eles redistribuem o vapor de água proveniente do equador e sua força influencia a quantidade de chuva nas porções continentais.

As monções

Para ver como a circulação do vento pode afetar os padrões pluviais, vamos explorar as fortes chuvas sazonais encontradas em regiões tropicais, conhecidas como monções.

A monção do Sul Asiático ocorre entre junho e setembro todos os anos.

Durante essa temporada, a porção continental aquece mais do que o oceano que a rodeia, porque a água tem uma alta capacidade de calor. Esse contraste de temperatura cria uma diferença de densidade, que causa um grande movimento de ar de cima do oceano para o continente.

Esse movimento de ar causa chuvas intensas nos trópicos por causa da Célula de Hadley. Lembra que o ar quente perto do equador aumenta e forma nuvens? A região em que isso acontece é chamada de Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), e está associada a chuvas fortes por causa de todas as nuvens formadas ao longo dela.

Na primavera, as correntes de vento que fluem para o norte, em direção ao Sul e Sudeste Asiático, carregam ar úmido e deslocam a ZCIT para norte com elas. A ZCIT traz consigo suas tempestades, criando as chuvas intensas da monção. Essas monções contribuem com 80% da precipitação do ano no Sul Asiático.

A Mudança da ZCIT e as Monções

Devido à intensificação do ciclo da água e às alterações na circulação geral, prevê-se que as monções afetarão uma área maior e as chuvas diminuirão no Oceano Índico e aumentarão na Índia.

Os modelos climáticos preveem que, em 2100, a chuva associada à monção na Índia aumentará em 5% se restringirmos o aquecimento a 2 °C acima dos níveis prė-industriais, e em 10% se permitirmos que chegue aos 4 °C!

Ciclones tropicais

Os ciclones tropicais são grandes tempestades que se formam ao longo dos oceanos tropicais. Acredita-se que eles sejam as mais violentas tempestades do planeta.

Para que se formem, é necessário que ocorram várias condições na atmosfera ao mesmo tempo. Se uma área do oceano se torna particularmente quente (mais de 27 °C), o ar quente cria uma corrente ascendente que é mais forte do que a normal. Isso tem que coincidir com o vento que traz mais vapor de água para essa área, fornecendo, assim, mais água para alimentar o crescimento da tempestade acima.

Um ciclone de grandes nuvens se forma quando ventos são desviados para o oeste e começam a girar em espiral como resultado da rotação da Terra. Tal como acontece com os Ventos Alísios, isso concentra a entrada de vapor de água. À medida que viaja pelo oceano, a tempestade acumula água e continua a crescer.

Em geral, quão maior é a região de onde uma tempestade coleta água comparada à área sobre a qual chove?


Tempestades concentram água de locais distantes

A tempestade cresce em estágios diferentes. Começa como um aglomerado de nuvens de tempestade e, por fim, torna-se um ciclone tropical de grande escala, em que a corrente de ar ascendente no meio é tão forte que o oceano sob ela forma um grande volume de água. Isso é responsável pela subida do nível do mar, que pode causar inundações nos locais em que a tempestade chega às porções continentais, conhecida como maré de tempestade.

Como as mudanças climáticas entram em jogo aqui?

O aquecimento global fornece mais vapor de água à atmosfera, dando mais água às tempestades, o que acarreta em chuvas mais pesadas.

Modelos preveem que, até o final do século, um aquecimento de 2 °C acima dos níveis pré-industriais poderia aumentar a intensidade média dos ciclones tropicais em 1% a 10%.

Conclusões

Agora, sabemos mais sobre a circulação do ar nos trópicos, sobre chuvas/tempestades e sobre a probabilidade de as alterações climáticas as afetarem. Mas isso não passa de um primeiro olhar sobre o complexo sistema que é a nossa atmosfera! Então, na próxima vez que chover quando a previsão dizia que seu dia seria ensolarado, tenha empatia pelo meteorologista!

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